Comunicação
O que os jornalistas encontraram no Twitter

A idéia das pessoas contarem o que estão fazendo, expondo a mediocridade do cotidiano no Twitter, me parecia a bula de um remédio que apenas esconde os sintomas do
non sense da fragmentação de vidas hipermodernas. Afinal, a quem pode interessar saber se estou assistindo desenhos animados com o Lucas, lendo um livro ou escrevendo um artigo? Na maior parte do tempo, a existência é puro enfado.
O terremoto que atingiu São Paulo e outros três Estados no dia 22 de abril, noticiado em primeira mão pelo Twitter (furo divulgado pelo 8 Bits e Meio e que
fiquei sabendo pelo Alec Duarte), me despertou, tardiamente, a curiosidade pelo mais popular serviço de microblogging da atualidade.
Mas qual seria a utilidade de informações em 140 caracteres (espaço de escrita no Twitter) quando o que precisamos é informação de qualidade, contextualizada, relacionada, analisada e apurada com precisão?
A ferramenta ainda é pouco explorada no jornalismo brasileiro, mas algumas experiências nos fornecem indícios de como a prática pode ser implementada à rotina das redações:
- Pautas: calamidades e desastres naturais como incêndios e terremotos, além de protestos e manifestações, em geral são noticiados primeiro em microblogs e no chamado jornalismo cidadão. O Twitter, quando bem empregado, torna-se uma fonte em potencial para pauteiros de plantão.
- Apuração: o uso das redes sociais e do Twitter em especial para fazer contatos, agendar entrevistas, descobrir e localizar fontes. Cobertura just-in-time de eventos como palestras, conferências e esportes.
- Redação: escrever uma notícia em blocos de 140 caracteres e enviar pelo celular do local do fato pode ser de grande agilidade no setor de breaking news.
- Distribuição de notícias/divulgação da marca: pouquíssimos portais e sites noticiosos no Brasil, como o G1, a Globo Online e a BBC Brasil (em Portugal os jornais Publico e Jornal Expresso), usam a plataforma para dar notícias ou mesmo divulgar suas marcas junto à audiência. Alguns criaram seções específicas, como o Minha Notícia (IG), o UOL Cinema e o Limão (Estadão).
A web social é um grande laboratório de comunicação e uma incubadora de projetos on-line, o que me leva a crer que o que o Twitter tem de mais importante a oferecer aos jornalistas é oportunidade de aprendizado.
Artigos sobre o asunto:
Como os jornalistas podem dominar o Twitter de Paul Bradshaw (em inglês)
Como usamos Twitter para jornalismo de Marshal Kirkpatrick (em inglês)
Textos didáticos:
Interney
Pensar Enlouquece
Matérias:
Caderno de Informática da Folha (exclusivo para assinantes)
Foto: René Magritte, Golconda (1953).
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